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Sometimes you win. Sometimes you lose.

O tempo moderno...

Este fim de semana, aconteceu uma tragédia no distrito de Leiria. Apesar dos meios de comunicação social continuarem a dar o nome de Pedrogão Grande ao incêndio, os principais danos aconteceram fora de Pedrogão. Mas, também vi uma televisão a fazer reportagem na aldeia de Botelhas e afirmaram que estavam em Pedrogão Grande, quando a aldeia é no concelho de Castanheira de Pêra. 

Tenho tias que vivem em 2 aldeias e que passaram por estes dias horríveis. Sendo que 2 tios e 2 primos são bombeiros voluntários e cumprem as regras de prevenção, tudo correu bem. Ardeu uma vinha e um galinheiro ficou chamuscado sem sofrer danos. 

Ontem tiveram de evacuar as aldeias. Hoje, ao raiar do dia, regressaram para ver como tinha passado o fogo. A maioria das pessoas, regressam, verificam como estão as coisas e tem de voltar para trás. É que não existem comunicações, não existe electricidade e não existe água. Mesmo quem tem poços para abastecimento de casa, ao não terem electricidade, as bombas não funcionam. 

A minha prima e o marido, deixaram as crianças em casa de um familiar na cidade (onde a electricidade falha muitas vezes, as bombas de gasolina não trabalham e muitas lojas não podem abrir porque tem as registadoras a funcionar na cloud e não existe internet disponível) e foram ver como ficou a casa e a aldeia. Estava tudo seguro, viram que a vinha do tio ficou em carvão mas, as casas estão bem. Nas aldeias por onde passaram, só viram uma casa que ardeu e o armazém de uma empresa de meias que foi destruído. 

Sem electricidade, já estavam para fechar tudo e voltar para o centro de acolhimento, quando se cruzaram com um vizinho que vinha a carregar 2 motores de rega que tinha ido buscar a algum campo de cultivo que tem. 

É que sem água na rede, o fontanário não tem água nem as casas e as bombas dos poços precisam de electricidade para funcionar. O velhote meteu-se a caminho, foi buscar os motores e o meu primo ajudou-o a ligar aquilo às mangueiras do poço. Como os motores funcionam a gasolina, voltaram a ter água disponível e podem começar as operações de limpeza, pois está tudo sujo de cinza e a poderem fazer comida numa fogueira no quintal. As pessoas que foram chegando, foram-se agrupando com garrafões e baldes para irem buscar água aos poços onde estão os motores. O velhote safou-lhes a situação, não só com os motores, como os poderá manter a funcionar durante dias, pois tem garrafões de gasolina enterrados no quintal, bem protegidos de qualquer fogo. 

Entretanto, a serra ardeu toda (a serra da Lousã ainda está em chamas) e quem quiser comunicar para fora, tem de usar um caminho largo para ir até ao cimo onde consegue apanhar rede para poderem usar os telemóveis. Perto de meia hora para cima e meia hora para voltar.  

Os bombeiros fizeram tudo o que foi possível. O fogo percorreu um dos lados, onde provocou aqueles mortos todos na estrada a menos de 6 quilómetros dali. Quem estava na aldeia à espera da chegada dos bombeiros, só soube o que se passou na estrada, no dia seguinte. Existiu uma viragem abrupta do vento e uma tempestade de raios terá caído naquele local ao anoitecer. A noite de Sábado para Domingo foi de alerta, pois o fogo seguiu em frente. Quando parecia que tudo estava bem, viragem de vento pouco depois da hora de almoço, que fez o fogo invadir a serra e avançar para as aldeias daquela zona. Em 3 horas, o fogo correu 7 quilómetros impulsionado por rajadas de vento que iam acontecendo.

Coisas que a maioria das pessoas das cidades que tanto estão a criticar nas redes sociais e a procurar culpados, espera-se que nunca venham a estar numa situação de não terem acesso a água ou a qualquer coisa que pensam como adquirida. Tanta gente que já sabe quem provocou o fogo ("Raios? Impossível! Nunca existiu nenhum raio que tenha provocado algum fogo. Foi mão humana e o governo não quer que se saiba." <- já li este comentário desta forma ou similar por parte de muita gente nas redes sociais...)  e que já tinha previsto tantos mortos que até já sabe que o fogo foi apagado e os bombeiros andam por lá ás voltinhas porque querem ganhar subsídios.